Santo Natal 2006
December 24th, 2006

Aproxima-se um momento estranho:
Sabemos pela tradição que é um dia de Festa,
de reunir a família, de trocar presentes,
de maior generosidade com os que mais precisam,
mas esquecemos a razão de ser de tanta Festa…
É dia de Festa porque é Natal.
É Natal porque Jesus nasceu,
e é porque Jesus nasceu que é Natal.
Ele nasce todos os dias no nosso coração…
se não nos esquecermos de nascer também nós com Ele.
Desejo-te a ti e a toda a tua família, um Santo Natal e um Feliz Ano Novo 2007.
Saúde e paz para todos.
Um abraço,
Luís Gonzaga
Feliz Natal
Estou vivo
December 21st, 2006
Já tinha saudades de escrever neste blog…
Passaram mais de seis meses desde a minha última mensagem. Para um blog que pretendia ter mensagens semanais, se existe um interregno de meio ano, isso não augura nada de bom. Mais, acho mesmo que vou ter que voltar a convidar os amigos para visitarem o blog porque decerto que já se esqueceram do seu endereço. Pior do que isso, se eu voltasse a prometer que agora é que eu iria começar a escrever semanalmente, já ninguém acreditaria. Assim, não prometo.
O que se passou nestes seis meses para não ter escrito nada, rien?
Como se lembram, criei este blog com o objectivo de partilhar convosco o meu caminho, em particular, as experiências e dicas que contribuíram para o meu sucesso. Como o nome diz, percorrer caminho é algo que não se faz ficado parado e exige o seu tempo. Nestes seis meses, foi isso que aconteceu: investi muito mais tempo em aprender novas matérias, ler livros de outras áreas, experimentar novos métodos, etc. A vontade de viver, meditar, ler, assimilar, mudar e experimentar foi muito maior que a de partilhar.
Além disso, faço questão que as pessoas que visitam este blog encontrem mensagens que justifiquem a sua leitura e que não sejam meras palavras de circunstância para preencher o espaço.
Por estes motivos, não escrevi.
Nestes seis meses aconteceram outros factos marcantes:
No final das férias de Verão, o meu sogro faleceu. Pela primeira vez na minha vida morreu alguém que me era muito próximo e tive de lidar de perto com a morte de alguém querido, tentando simultaneamente dar força e partilhar uma palavra de esperança a todos que tal como eu sentimos a ausência definitiva de alguém que amamos.
Conheci Ken Wilber – filósofo norte-americano contemporâneo – através de “Uma Teoria de Tudo” , da Estrela Polar e “Uma Breve História de Tudo”, da Via Óptima, e isso, não só mudou a minha maneira de pensar, como me deu a conhecer muitas outras áreas importantes no desenvolvimento humano.
Em breve partilharei com maior detalhe estas minhas duas experiências.
Um abraço,
Luís
Segundo hábito - Começar com o fim em mente
June 8th, 2006
A primeira semana de férias está quase a acabar.
O segundo dos sete hábitos definidos por Steve Covey tem por título «Começar com o fim em mente». Inicialmente surpreendeu-me, pois haverá outra forma de começar? Poderá um jogador marcar um golo sem antes ter olhado para a baliza?
Então, como será possível querermos algo sem antes termos pensado e visualizado o que queremos? Como poderemos viver a nossa vida sem antes sabermos, pensarmos e definirmos o que pretendemos dela? Creio não ser possível.
Covey introduz o conceito das duas criações. Tudo o que existe é criado duas vezes: primeiro na mente, depois no mundo físico. O arquitecto cria primeiro a casa na sua mente, só depois a passa ao papel. Também o escritor primeiro pensa no seu romance e cria-o na sua mente, só depois o escreve. Até mesmo na Bíblia, o mundo é criado duas vezes: primeiro em Gn 1,1-2,4 e depois a partir de Gn 2,5.
Este é o hábito da liderança pessoal.
Implementarmos este hábito é saber a cada momento para onde queremos ir. O que pretendemos. Quais os nossos objectivos.
Muitas empresas têm problemas de produtividade porque os seus empregados não sabem como o seu trabalho contribui para o sucesso das mesmas. Muitas pessoas têm enorme dificuldade em ter sucesso na vida porque raramente definem o que dela pretendem, e não vivem quotidianamente com isso em mente.
Por exemplo não conheço ninguém que não queira viver com saúde (objectivo), mas conheço inúmeros fumadores que não têm este objectivo em mente quando puxam um cigarro e o acendem. Assim, é quase impossível atingirem o seu objectivo (ter saúde).
Por esse motivo, devemos elaborar uma lista do que pretendemos da vida. O que pretendemos fazer com ela. Devemos também definir os nossos valores e missão pessoal. Sempre que tivermos que decidir entre o A ou B ou mesmo C, basta pensarmos qual dessas opções melhor contribui para a nossa missão e está de acordo com os nossos valores.
Será assim tão difícil por isto em prática? Tenho a certeza que não.
Um abraço,
Luís
Primeiro hábito - Ser pró-activo
June 5th, 2006
Como é bom estar de férias… Primeiro dia. Primeira mensagem.
Depois de vos ter dado tempo mais que suficiente para digerirem a minha última mensagem, chegou o momento de escrever sobre o primeiro dos sete hábitos: Ser pró-activo.
Todavia, quero primeiro responder a alguns comentários que me fizeram, e alguma apreensão ou demotivação que ficou no ar, pelo menos em certas pessoas, sobre a extensa mensagem de introdução aos conceitos. Diziam-me que se a introdução aos conceitos é assim tão extensa, como não seriam os hábitos em si. Quero desde já assegurar-vos que não há motivos para apreensões nem para desmotivações. Como verão nas próximas mensagens, os hábitos fáceis e sucintos de descrever e explicar. Adiante.
Ser pró-activo
Covey define o primeiro hábito como “Be proactive“. Compreende-se melhor definindo o seu contrário: “Be reactive” - ser reactivo. Uma pessoa é reactiva quando age (ou reage) segundo as condições, os sentimentos, as circunstâncias ou o ambiente que a rodeia. Uma pessoa pró-activa age segundo os seus valores e a sua missão pessoal. Entre o estímulo e a resposta existe um tempo de decisão, decisão essa que é tomada não com base nas condições, impulsos, ambiente ou sentimentos, mas sim com base nos valores e na missão pessoal.
Um só parágrafo foi suficiente para definir este hábito. Mas só um parágrafo pode não ser suficiente para se compreender a diferença entre ser pró-activo e reactivo, pois a diferença entre ambos pode à primeira vista ser muito pequena. Sobretudo, quando o tempo entre o estímulo e a resposta é, por hábito, também muito pequeno. É este tempo e a decisão que se toma com base nos valores e missão pessoal que define uma pessoa pró-activa. A novidade (para alguns) está exactamente aqui: é que é possível escolhermos as respostas àquilo que nos acontece.
Mais, nós não somos aquilo que nos acontece mas sim a resposta que escolhemos àquilo que nos acontece.
Será mesmo assim?
Neste momento, muitos de vós estão surpreendidos com aquilo que leram sobretudo por eu ter escrito que para a maioria é uma novidade saberem que sois vós que escolheis as vossas acções. Quase que consigo ouvir em uníssono e bem alto, todos vós a gritardes: “Claro que sou eu que escolho as minhas acções. Não sou nenhum demente.” Será mesmo assim?
Lembraste quando hoje ias no trânsito e alguém fez uma azelhice à tua frente e tu buzinaste e lhe disseste: “Daaaahhh“? Foste tu que escolhestes esta resposta? Foi com base nos teus valores que tomaste essa decisão? Ou foi com base nos teus impulsos, sentimentos ou ambiente envolvente?
Quando o teu chefe não reconhece o teu valor, não te dá o devido valor ou, pior, fica com os louros do teu trabalho, e tu ficas completamente irritado com o facto, foste mesmo tu que escolheste ficar irritado? Será esta a resposta escolhida com base nos teus valores? Tenho a certeza que não.
Quando sem querer chocas com alguém na rua e essa pessoa sem pensar te insulta, tu ficas ofendido. Foste mesmo tu quem escolheu ficar ofendido? Foste, mas raramente tens a noção que és tu quem escolhes ficar ofendido ou não. Já pensaste que por vezes assistimos num jogo de futebol uma multidão em fúria a insultar o árbitro e ele não se sente ofendido? Então, é porque ficar ofendido é uma opção nossa. Um mestre espiritual (não sei se budista ou Zen) disse um dia que um ofensa é como um presente que alguém nos quer oferecer e que podemos aceitar ou não.
Determinismo
Eu acredito que somos nós que escolhemos a nossas acções. Sempre. Podemos fazê-lo com base nos nossos valores e missão pessoal, com base naquilo que pretendemos ser e viver a nossa vida, ou não. Todavia, há pessoas que não pensam assim e acreditam que as suas respostas estão predeterminadas. É o “destino” algo tão particularmente português ou não tivéssemos o fado como algo nosso. Existem três tipos de determinismo:
1) Genético ou como diz Covey «A culpa é do meu avô». Genético porque é um algo hereditário. É próprio da família. Já o meu avô era assim. O meu pai também é assim. Eu sou assim porque sou filho e neto deles. É algo que se transmite nos genes. Isto aplica-se a todas as respostas possíveis.
2) Psíquico ou «A culpa é dos meus pais». É certo que a forma como vivemos a nossa infância influencia a nossa adolescência e idade adulta. Influencia mas não determina, e essa influência pode ser maior ou menor conforme a nossa vontade. Se a nossa infância não foi a mais agradável, chegados à idade adulta é a altura ideal de pôr um ponto final nessa fase da nossa vida. Sobre isso, hei-de escrever oportunamente.
Neste tipo de determinismo temos aquilo que chamamos de «self fulfill prophecy». Por exemplo, já ouvimos tantas vezes que somos ______ (preencher aqui a seu gosto) que começamos mesmo a acreditar que sim. Que os outros devem ter razão. A partir do que ouvimos dos outros, criamos assim imagens de nós próprios que estão bem longe de corresponder à verdade.
3) Ambiente ou aquilo que nos rodeia ou «A culpa é dos outros». Seja o nosso chefe, o nosso marido ou esposa, os nossos amigos, os outros. São eles que nos determinam as acções? Um destes dias, a minha amiga comentava comigo: «O meu chefe tira-me do sério». Será mesmo ele que a tira do sério ou ela que escolhe essa reacção?
Quando temos um problema e pensamos que a culpa é dos outros, esse mesmo pensamento é o problema.
O que fazer?
Se neste momento ainda não decidimos com base nos nossos valores ou missão pessoal, temos que pensar como mudar essa situação. Para nos ajudar nessa tarefa, Covey introduz o conceito dos dois círculos: preocupação e influência.
Peguem numa folha de papel em branco e considerem que nessa folha de papel podem escrever todos os assuntos e situações que se lembrem. Antes de começarem a escrever, desenhem no centro da folha um círculo que terá o nome de círculo de preocupação. Quando começarem a escrever os assuntos e situações na folha de papel, escrevem-nos dentro do círculo se for algo que vos preocupa (ou pode vir a preocupar) e fora do círculo se não vos preocupa (nem virá a preocupar-vos).
Dentro do círculo de preocupação vão desenhar outro círculo: o círculo de influência. Dos assuntos que vos preocupam (agora ou no futuro) e que vão escrever dentro do círculo de preocupação, devem escrevê-lo dentro do círculo de influência se poderem fazer algo sobre esse assunto.
Quando terminarem de escrever, foquem-se no círculos de preocupação e influência e reparem na proporção dos assuntos que ficaram dentro do círculo de preocupação e do círculo de influência.
Aquilo que Covey nos diz é que nos devemos focar no círculo de influência e tentar maximizá-lo. O círculo de influência deve estar o mais próximo possível do círculo de preocupação. Isto é, se algo nos preocupa, devemos poder fazer algo sobre isso. Se algo nos preocupa e não podemos fazer nada por isso, então provavelmente não nos deveria preocupar.
Livre arbítrio
Como cristão, entendo que o maior dom que Deus nos deu foi criar-nos como seres livres. Todos temos a liberdade de escolher. Não só foi o maior dom, como o maior poder que nos deu. O maior poder na vida é a nossa liberdade de escolher. E a maior liberdade de todas é podermos ser nós próprios.
Pensem nisto
Este hábito é o alicerce de todos os outros hábitos. Sem ele, todos os outros se desmoronam e não fazem sentido. Porém, para decidir com base nos nossos valores e missão pessoal é necessário termos definido previamente quais são os nossos valores e a nossa missão pessoal.
Já partilhei convosco quais são os meus valores e a minha missão pessoal. Convido-vos a pensardes nisso.
1) Quais são os valores mais importantes para ti?
2) Qual o teu objectivo de vida? Qual a tua missão? O que te faz levantar todos os dias da cama e viver mais um dia da tua vida?
Um abraço,
Luís
Introdução aos sete hábitos - conceitos
May 6th, 2006
Quanto dura uma promessa? Quatro mensagens.
Tinha a perfeita noção quando iniciei este blog que dificilmente iria escrever periodicamente. Não que tenha perdido o interesse no blog. Muito pelo contrário. Passou a ser uma das minhas visitas diárias. Apenas porque quero que este blog seja um espaço de qualidade e isso leva o seu tempo.
Introdução
Durante estas semanas de ausência, aproveitei para reler o livro «The 7 Habits of Highly Effective People» de Stephen Covey. Antes de entrar nos hábitos propriamente ditos, Covey introduz alguns conceitos importantes que passarei a descrever.
Motivação
Covey começa por motivar os leitores sobre o que os espera ao lerem e implementarem o que aprenderem com o livro.
- aumentar a auto-estima e melhorar as relações pessoais;
- aumentar a capacidade de influenciar os outros;
- viver uma vida cheia de alegria, entusiasmo e paixão.
Aprender, ensinar, aplicar
A forma mais rápida de tirar partido da leitura do livro é aprender, ensinar e aplicar. Isto é, não basta ler o livro e ir aplicando o que se aprende. Recomenda que se ensine o que se aprendeu pois não há melhor forma de aprender que ter que ensinar o que se aprendeu. Isso obriga-nos a compreender para além do saber, tal como saber explicar é ir mais além do simples saber. Deve-se começar por ensinar aqueles que estão mais próximos de nós (colegas de emprego, por exemplo) e aqueles que amamos (mulher/marido, família, amigos). Aprender e ensinar é importante, mas é preciso aplicar, praticar.
Eficiente, eficaz
Escrever sobre este livro na língua de Camões recomenda que se contextualize o termo “Effective”. Traduzo-o por “eficiente” ou “eficaz”. E o que significa ser uma pessoa eficiente ou eficaz?
Com a ajuda de um bom dicionário, concluímos que se trata de alguém que produz os resultados desejados. Mas é suposto as pessoas produzirem resultados? Não será esta uma visão demasiado capitalista e/ou economicista do ser humano? Talvez.
Por esse motivo, prefiro ver uma pessoa “eficiente” como alguém cuja vida tenha sentido e que o sentido seja a própria vida. Como se falassemos de potência e acto e nos referissemos exactamente à mesma coisa.
Produção (P) e Capacidade de Produção (PC)
Covey define “effective” como a harmonia entre Produção (P) e Capacidade de Produção (PC) e dá o exemplo da galinha dos ovos de ouro. A produção (os resultados) são os ovos de ouro. A capacidade de produção é a galinha poder pôr ovos. Covey diz que é necessário harmonizar e optimizar esta relação P-PC, pois o máximo resultado só se obtém quando esta relação está em harmonia.
Se não vejamos. Se eu ao querer aumentar o número de ovos por dia, forçar a galinha a pôr mais do que um ovo por dia (aumentar o “P - Produção”), provavelmente a galinha não vai durar muito tempo. Se eu investir na galinha e tratar bem a galinha (aumentar o “PC - Capacidade de Produção) mas não se fizer por a galinha pôr ovos, de que adianta ter uma galinha que põe ovos de ouro? O ideal é tratar bem da galinha e fazer com que ela ponha ovos (”P” e “PC” em harmonia e optimizados).
Poderíamos aplicar uma analogia semelhante com um automóvel, por exemplo.
Outra analogia possível e que merece a nossa reflexão é a nossa saúde e o dinheiro que gastamos com ela, nomeadamente, a proporção entre o dinheiro gasto na cura comparado com o que é gasto na prevenção. Além disso, a esmagadora maioria dos custos de saúde são gastos nos últimos anos de vida, quando poderíamos ter investido ao longo desta na prevenção de doenças e tenho a certeza que no total gastar-se-ia muito menos.
Relações pessoais e banco emocional
Outro conceito importante que Covey introduz nos sete hábitos é o «Banco Emocional». Segundo ele, cada um de nós tem uma conta no banco emocional de cada pessoa. A conta neste banco é medida em “confiança”. É uma confiança que aumenta a flexibilidade e o à vontade na relação. Por exemplo, quem nunca trabalhou com alguém que à mínima circunstância estava a embirrar connosco? Quem não conhece alguém com quem temos que escolher bem as palavras para falar com ela de forma a não dar espaço a segundo sentidos ou implicarem connosco? Eu, infelizmente, conheço algumas. O que fazer com estas pessoas? Fazer depósitos na nossa conta do banco emocional.
Existem cinco grandes formas de fazer depósitos.
1) Pequenas cortesias. Um breve telefonema no dia de aniversário. Uma palavra simpática por algo que se fez. Um elogio sincero, entre muitos outros.
2) Manter uma promessa. Cumprir uma promessa é um bom depósito. Nunca devemos prometer aquilo que sabemos ou suspeitamos que não conseguimos cumprir. Esta é uma regra de ouro para qualquer pai/mãe na sua relação com os seus filhos.
3) Não defraudar expectativas. Por vezes não chegamos a prometer nada mas isso não implica que o outro não crie uma certa expectativa em relação a nós.
4) Ser íntegro. Evitar a duplicidade de carácter. Não falar nas costas de ninguém por exemplo. Ser e fazer aquilo que falo e falar aquilo que sou.
5) Pedir desculpa. Parece tão fácil pedir desculpa quando se erra, parece ser até um acto de fraqueza mas é precisamente o contrário. Só as pessoas com coragem conseguem pedir desculpa.
Tal como nos bancos, se é possível fazermos depósitos também existem “levantamentos” e estes devem ser evitados ao máximo. São precisamente o contrário dos depósitos: ser indelicado, falhar ao prometido, violar as expectativas, ter dupla personalidade e nunca pedir desculpa.
O que Covey nos diz é que devemos estar constantemente a fazer depósitos no banco emocional dos que nos rodeiam e não só. Por vezes podemos fazer um enorme depósito em quem não se conhece… por agora.
Paradigmas e mapas sociais
Paradigma é um modelo, uma teoria, uma explicação de algo. É também o modo como percepcionamos o mundo ou aquilo que nos rodeia. São as lentes de como vemos o mundo. Se o nosso paradigma está longe da realidade, as nossas atitudes, comportamentos e acções não serão as melhores e mais apropriadas. Sentir-nos-emos sempre perdidos, como se tentássemos encontrar uma localização numa cidade mas usando um mapa de outra qualquer. Este mapa é o nosso paradigma. Tal como nos mapas da cidade, por vezes os paradigmas estão errados.
Covey diz-nos que a maior e melhor mudança das nossas vidas não acontece quando mudamos as atitudes, os comportamentos ou os hábitos. A maior e melhor mudança surge quando mudamos o paradigma, porque espontaneamente isso muda a atitude, os comportamentos e os hábitos. Quase sempre a dificuldade na relação e comunicação com os outros existe porque não compreendemos o paradigma do outro.
É assim caso para nos perguntarmos: donde vem esses paradigmas? Como adquirimos estes mapas “errados”? Dos outros através de “mapas sociais”: «És sempre a mesma coisa», «Não fazes nada que tenha jeito», «És um irresponsável», «Não posso confiar em ti» são alguns exemplos de expressões que quase todos nós já ouvimos alguma vez, e que erradamente pode fazer com que nos identifiquemos com elas.
Também quando nos vimos ao espelho, nem sempre vimos reflectido aquilo que somos. Perguntem a uma anoréxica que se vê ao espelho se não tem uns quilos a mais e logo verão a resposta.
Quantos de nós acreditamos que temos um potencial ilimitado? Quantos de nós perante um desafio que nos é proposto a primeira resposta que nos vem à cabeça é «Eu consigo»? Se isso ainda não acontece é porque temos ainda algum caminho a percorrer.
Li noutro dia alguém que dizia que em cada 10.000 crianças que nascem, 9.999 têm um potencial ilimitado mas que com tempo, com a educação e socialização pelos adultos, se esquecem desse potencial.
Precisamos de redescobrir este potencial ilimitado que existe em nós. Este potencial está relacionado com a nossa segurança interior.
Fonte de segurança interior
Na relação Produção (P) - Capacidade de Produção (PC), muitos de nós acreditam que a nossa segurança vem da Produção. Por exemplo, “eu terei emprego porque produzo bons resultados” é um caso típico de segurança que vem da produção (P). Isso não é verdade. A verdadeira segurança vem da capacidade de produção (PC). Se eu tiver capacidade para produzir, seja neste ou noutro emprego em produzirei resultados e isso dá-me segurança.
Esta ilusão da fonte da segurança faz com que evitemos e receemos a mudança. Se eu tenho um núcleo interno duro e forte, baseado nos meus valores e nas minhas capacidades, então não me importo que aquilo que me é externo mude, porque internamente eu sou forte e capaz. Se pelo contrário eu internamente sou frágil, vou ao sabor do vento e dos outros, então, para não me sentir perdido, é bom que aquilo que me rodeia não mude. Neste segundo caso, se de repente fico desempregado, se acaba o casamento ou namoro, toda a vida parece ficar sem sentido.
Como queremos ser internamente: fortes ou frágeis?
Termino assim a introdução a alguns conceitos que encontramos nos sete hábitos. Quero alertar-vos para o facto de o livro e os sete hábitos não serem complexos e que esta introdução é essencial embora mais extensa que a explicação de alguns dos sete hábitos. Nunca é demais referir que aquilo que escrevo sobre o livro «The 7 Habits of Highly Effective People» corresponde à interpretação que faço do que li e pode ser algo diferente da interpretação do autor e de outras pessoas.
Um abraço,
Luís
Um caminho de sucesso
April 13th, 2006
Na nossa sociedade ocidental muitos de nós procuram ter sucesso embora poucos saibam exactamente o que isso significa. É como se procurássemos o santo Graal: procura-se algo muito precioso sem saber muito bem de que se trata, nem como, nem onde o encontrar.
Na nossa vida existem momentos em que sentimos algo que nos leva a mudar de rumo. Seja uma pessoa que se conheceu, um acontecimento vivido, um conhecimento aprendido, um filme visto, um livro lido. Alguns dos livros que li recentemente ajudaram-me a mudar a minha forma de ver as coisas, e a viver a vida de forma diferente.
Ainda não consegui perceber se aquilo que li destes livros me trouxeram sucesso, mas tenho a certeza que me mostraram o caminho, e acredito que talvez o sucesso seja mais um caminho do que uma meta.
Partilhar este caminho convosco foi a principal razão de ter criado este blog. O meu sucesso só fará sentido se os outros também tiverem sucesso e partilhar um caminho de sucesso convosco é um requisito para o meu sucesso.
Na nossa sociedade ocidental muitos do que se encontram doentes pedem uma receita para o medicamento que os cure. Acredito que a falta de uma cultura de sucesso que se vive, sobretudo, no nosso país possa ser qualificada como uma espécie de doença social. Muito embora não seja médico, partilho convosco a receita para um caminho de sucesso:
7 Habits + GTD + Spirituality = Success
7 Habits: Significa The 7 Habits of Highly Effective People, Steve Covey[1] (ISBN 0743269519). Este livro vem numa sequência de outros do mesmo autor, todos sobre liderança pessoal e gestão de tempo. Depois de uma introdução a alguns conceitos importantes, Covey descreve sete hábitos que encontrou em todas as pessoas altamente eficazes. Por (alguma) experiência própria posso-vos dizer que estes hábitos funcionam e que depois de adquiridos têm um impacto tremendo na forma como vivemos a nossa vida.
GTD: Getting Things Done: The art of stree-free productivity, David Allen (ISBN 0142000280). Este livro é um autêntico best-seller na metodologia da gestão de tempo e o seu objectivo é aumentar a nossa produtividade diminuindo simultaneamente o stress. Depois de ter implementado o método durante algum tempo posso-vos assegurar que este funciona.
Spirituality: Desenvolvimento ou crescimento espiritual. Ambos os autores, Steve e David, valorizam a componente espiritual embora de uma forma algo discreta. No sétimo hábito Steve chama a atenção para o desenvolvimento da pessoa nas suas quatro vertentes: física, mental, emocional/social, espiritual. Dada a sua formação e experiência de Karaté, David fala por diversas vezes de “mind like water”. Todavia, nenhum deles aponta caminhos para este desenvolvimento espiritual.
Nas próximas mensagens introduzirei os conceitos de cada um dos livros e apresentarei caminhos para o desenvolvimento espiritual.
Um abraço,
Luís
[1] - Soube recentemente que Steve Covey não é católico nem cristão. É mórmon. O facto de eu ter escolhido este livro dele e de recomendar a sua leitura, não significa que recomende todos os livros do mesmo autor, sobretudo aqueles que ele diz que os mórmons são a única Igreja verdadeira. Neste ponto, não poderíamos estar mais em desacordo. Ao longo das minhas próximas mensagens terei algum cuidado em mostrar que os sete hábitos não são incompatíveis com o Cristianismo.
Mais do que uma palavra
April 3rd, 2006
Por vezes os conceitos são algo subjectivos e o mesmo conceito tem significados distintos para pessoas diferentes. Alguns amigos comentaram isso comigo e senti necessidade de dizer mais do que uma simples palavra sobre os meus valores.
Amor. O Amor é a essência de Deus. “Deus é Amor. Deus não é senão Amor“. Afirmar que o Amor é um valor é fazer simultaneamente uma profissão de fé: eu acredito em Deus que é Amor.
O Amor é a principal das virtudes cristãs e para mim é de tal forma importante que o tenho como principal valor. Mas então, o que é o amor? O amor é um sentimento, um afecto, uma emoção, interpessoal, altruísta e incondicional. O Amor inclui outros dois valores que para mim só fazem sentidos numa perspectiva de Amor: a família e a vida. A família sem amor é mera relação de sangue. A vida sem amor é vazia de sentido.
O seu oposto é o medo.
Liberdade. A Liberdade é a capacidade que eu tenho de escolher os meus actos, pensamentos e motivações. É também um atributo do homem: Deus fez o homem livre e respeita a sua vontade. Ninguém tem o direito de se sobrepor a Deus e condicionar ou limitar a liberdade do homem. Ser livre é poder optar por qualquer uma das hipóteses disponíveis, e ser capaz de escolher a que melhor se identifica com os valores. Ser livre é também não ter vícios.
O seu oposto é a dependência.
Integridade. A Integridade é a coerência entre o interior e o exterior. Entre os valores e as acções. Entre o que se diz e o que se faz. A Integridade inclui outros valores: a honestidade, a maturidade e a coragem.
Ser honesto é mais do que não mentir. É dizer a verdade mesmo quando isso o possa prejudicar. É não permitir a injustiça pela omissão. A omissão é a pior das mentiras. É a mentira cobarde - não diz a verdade mas também não tem coragem para mentir. Maturidade é a capacidade de assumir as consequências dos seus actos. Coragem é a capacidade de enfrentar o medo, a dor, o perigo e a incerteza.
O seu oposto é a ilusão.
Confiança. Acreditar em Deus é mais do que simples acreditar que Deus existe. É confiar nele a sua vida. Confiança é também acreditar nas pessoas. Ser optimista por natureza e não ter preconceitos e incertezas no futuro e nas pessoas.
O seu oposto é a dúvida.
Amizade. A Amizade é o Amor pelos amigos. Porque os amigos só existem se os amarmos. De outra forma, são meros desconhecidos.
O oposto é a solidão.
Alegria. É um sentimento de bem-estar e de prazer. É o sorriso da alma. A felicidade do coração. A tensão arterial do corpo espiritual.
O seu oposto é a morte.
Paz. A Paz é mais que ausência de guerra ou conflito. É a harmonia nas relações humanas. É o bem-estar interior do ser. É também a ausência de stress.
O seu oposto é o ódio.
Sete valores. Sete descrições. Sete opostos. Muitos de vós dirão que nem todos os opostos estão correctos. É possível que tenha escolhido opostos menos comuns, mas ao escolhe-los quis ajudar a compreender os meus valores.
E para ti, quais são os teus valores?
Um abraço,
Luís
Começar pelo princípio
March 24th, 2006
Lembram-se como terminei a minha última mensagem? «Tenho um compromisso para comigo mesmo: escrever pelo menos uma vez por semana. Veremos até quando o cumprirei.» A primeira semana foi superada. Veremos as próximas.
Desde que criei este blog, tenho pensado por onde devo começar a escrever aquele monte de coisas que gostaria de partilhar. A escolha não tem sido fácil mas decidi começar pelo princípio: o meu objectivo de vida, a minha missão pessoal e os meus valores.
Vivo neste mundo com um objectivo: ser feliz! O meu desafio é encontrar o caminho para a felicidade.
Acredito que “Deus é Amor” [1] e que “Deus não é senão Amor”. [2]
Acredito em Deus como criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, por esse motivo, sou uma criatura de Deus.
Acredito também que sou filho de Deus [3] e que fui criado à Sua imagem e semelhança. [4]
Por isso também eu sou capaz desse Amor e se existe caminho para a felicidade, ele passa por essa capacidade de amar e de ser amor.
Deus é Amor. Deus não é senão Amor. Por esse motivo, a minha felicidade só será completa quando estiver com Deus, em Deus; quando for simplesmente amor.
Por agora, caminho para esse amor amando todos os meus irmãos em Cristo como Ele nos amou. [5]
Acredito que este é o único caminho para ser feliz: amar os outros como Ele nos amou.
Por conseguinte, o primeiro dos meus valores é o Amor e aqueles que eu Amo. Susete - aquela que é uma só carne comigo [6]; e Madalena - aquela que é fruto do meu amor pela Susete.
Liberdade, Integridade, Confiança, Amizade, Alegria e Paz são os restantes valores que me permitem realizar a minha missão.
Agora que conheceis a minha missão - ser feliz -, como alcançar essa felicidade - amar os outros como Ele nos amou -, e os valores que me permitirão realizar a minha missão - Amor, Liberdade, Integridade, Confiança, Amizade, Alegria e Paz - poderemos continuar a conversa… noutro dia.
Um abraço,
Luís
[1] 1 Jo 4,7-21
[2] François Varillon, S.J.; A Alegria de Crer e de Viver, Apostolado da Oração, pág 42.
[3] Gl 3,26; Mt 5,9; Rm 8,14
[4] Gn 1,26-27
[5] Jo 15,9-17
[6] Gn 2,24
Finalmente tenho um blog!
March 16th, 2006
Já por diversas vezes me tinham perguntado porque é que eu não tinha um blog. Agora (há uns anos atrás) que estavam tanto na moda, mesmo para os pouco dados às tecnologias, porque é que eu sendo algo techie não tinha um blog. A resposta era invariavelmente a mesma: «Tenho um site que tem um fórum, pelo que não preciso de um blog para escrever o que penso».
Bem. Não é bem assim. O dito fórum tem regras de funcionamento e as regras limitam não só o tema da conversa (Religião, Cristianismo e Igreja Católica) como o propósito da mesma (discutir ideias e trocar opiniões).
Se eu quiser simplesmente escrever, partilhar um pouco do que me vai na alma (sim, eu tenho uma..), o fórum não é o melhor sítio para o fazer. Decidi então criar este blog, onde sou livre de escrever o que bem me apetecer, mesmo quando não pretendo entrar em grandes discussões.
Tenho um compromisso para comigo mesmo: escrever pelo menos uma vez por semana. Veremos até quando o cumprirei.
Um abraço,
Luís