Primeiro hábito - Ser pró-activo
June 5th, 2006
Como é bom estar de férias… Primeiro dia. Primeira mensagem.
Depois de vos ter dado tempo mais que suficiente para digerirem a minha última mensagem, chegou o momento de escrever sobre o primeiro dos sete hábitos: Ser pró-activo.
Todavia, quero primeiro responder a alguns comentários que me fizeram, e alguma apreensão ou demotivação que ficou no ar, pelo menos em certas pessoas, sobre a extensa mensagem de introdução aos conceitos. Diziam-me que se a introdução aos conceitos é assim tão extensa, como não seriam os hábitos em si. Quero desde já assegurar-vos que não há motivos para apreensões nem para desmotivações. Como verão nas próximas mensagens, os hábitos fáceis e sucintos de descrever e explicar. Adiante.
Ser pró-activo
Covey define o primeiro hábito como “Be proactive“. Compreende-se melhor definindo o seu contrário: “Be reactive” - ser reactivo. Uma pessoa é reactiva quando age (ou reage) segundo as condições, os sentimentos, as circunstâncias ou o ambiente que a rodeia. Uma pessoa pró-activa age segundo os seus valores e a sua missão pessoal. Entre o estímulo e a resposta existe um tempo de decisão, decisão essa que é tomada não com base nas condições, impulsos, ambiente ou sentimentos, mas sim com base nos valores e na missão pessoal.
Um só parágrafo foi suficiente para definir este hábito. Mas só um parágrafo pode não ser suficiente para se compreender a diferença entre ser pró-activo e reactivo, pois a diferença entre ambos pode à primeira vista ser muito pequena. Sobretudo, quando o tempo entre o estímulo e a resposta é, por hábito, também muito pequeno. É este tempo e a decisão que se toma com base nos valores e missão pessoal que define uma pessoa pró-activa. A novidade (para alguns) está exactamente aqui: é que é possível escolhermos as respostas àquilo que nos acontece.
Mais, nós não somos aquilo que nos acontece mas sim a resposta que escolhemos àquilo que nos acontece.
Será mesmo assim?
Neste momento, muitos de vós estão surpreendidos com aquilo que leram sobretudo por eu ter escrito que para a maioria é uma novidade saberem que sois vós que escolheis as vossas acções. Quase que consigo ouvir em uníssono e bem alto, todos vós a gritardes: “Claro que sou eu que escolho as minhas acções. Não sou nenhum demente.” Será mesmo assim?
Lembraste quando hoje ias no trânsito e alguém fez uma azelhice à tua frente e tu buzinaste e lhe disseste: “Daaaahhh“? Foste tu que escolhestes esta resposta? Foi com base nos teus valores que tomaste essa decisão? Ou foi com base nos teus impulsos, sentimentos ou ambiente envolvente?
Quando o teu chefe não reconhece o teu valor, não te dá o devido valor ou, pior, fica com os louros do teu trabalho, e tu ficas completamente irritado com o facto, foste mesmo tu que escolheste ficar irritado? Será esta a resposta escolhida com base nos teus valores? Tenho a certeza que não.
Quando sem querer chocas com alguém na rua e essa pessoa sem pensar te insulta, tu ficas ofendido. Foste mesmo tu quem escolheu ficar ofendido? Foste, mas raramente tens a noção que és tu quem escolhes ficar ofendido ou não. Já pensaste que por vezes assistimos num jogo de futebol uma multidão em fúria a insultar o árbitro e ele não se sente ofendido? Então, é porque ficar ofendido é uma opção nossa. Um mestre espiritual (não sei se budista ou Zen) disse um dia que um ofensa é como um presente que alguém nos quer oferecer e que podemos aceitar ou não.
Determinismo
Eu acredito que somos nós que escolhemos a nossas acções. Sempre. Podemos fazê-lo com base nos nossos valores e missão pessoal, com base naquilo que pretendemos ser e viver a nossa vida, ou não. Todavia, há pessoas que não pensam assim e acreditam que as suas respostas estão predeterminadas. É o “destino” algo tão particularmente português ou não tivéssemos o fado como algo nosso. Existem três tipos de determinismo:
1) Genético ou como diz Covey «A culpa é do meu avô». Genético porque é um algo hereditário. É próprio da família. Já o meu avô era assim. O meu pai também é assim. Eu sou assim porque sou filho e neto deles. É algo que se transmite nos genes. Isto aplica-se a todas as respostas possíveis.
2) Psíquico ou «A culpa é dos meus pais». É certo que a forma como vivemos a nossa infância influencia a nossa adolescência e idade adulta. Influencia mas não determina, e essa influência pode ser maior ou menor conforme a nossa vontade. Se a nossa infância não foi a mais agradável, chegados à idade adulta é a altura ideal de pôr um ponto final nessa fase da nossa vida. Sobre isso, hei-de escrever oportunamente.
Neste tipo de determinismo temos aquilo que chamamos de «self fulfill prophecy». Por exemplo, já ouvimos tantas vezes que somos ______ (preencher aqui a seu gosto) que começamos mesmo a acreditar que sim. Que os outros devem ter razão. A partir do que ouvimos dos outros, criamos assim imagens de nós próprios que estão bem longe de corresponder à verdade.
3) Ambiente ou aquilo que nos rodeia ou «A culpa é dos outros». Seja o nosso chefe, o nosso marido ou esposa, os nossos amigos, os outros. São eles que nos determinam as acções? Um destes dias, a minha amiga comentava comigo: «O meu chefe tira-me do sério». Será mesmo ele que a tira do sério ou ela que escolhe essa reacção?
Quando temos um problema e pensamos que a culpa é dos outros, esse mesmo pensamento é o problema.
O que fazer?
Se neste momento ainda não decidimos com base nos nossos valores ou missão pessoal, temos que pensar como mudar essa situação. Para nos ajudar nessa tarefa, Covey introduz o conceito dos dois círculos: preocupação e influência.
Peguem numa folha de papel em branco e considerem que nessa folha de papel podem escrever todos os assuntos e situações que se lembrem. Antes de começarem a escrever, desenhem no centro da folha um círculo que terá o nome de círculo de preocupação. Quando começarem a escrever os assuntos e situações na folha de papel, escrevem-nos dentro do círculo se for algo que vos preocupa (ou pode vir a preocupar) e fora do círculo se não vos preocupa (nem virá a preocupar-vos).
Dentro do círculo de preocupação vão desenhar outro círculo: o círculo de influência. Dos assuntos que vos preocupam (agora ou no futuro) e que vão escrever dentro do círculo de preocupação, devem escrevê-lo dentro do círculo de influência se poderem fazer algo sobre esse assunto.
Quando terminarem de escrever, foquem-se no círculos de preocupação e influência e reparem na proporção dos assuntos que ficaram dentro do círculo de preocupação e do círculo de influência.
Aquilo que Covey nos diz é que nos devemos focar no círculo de influência e tentar maximizá-lo. O círculo de influência deve estar o mais próximo possível do círculo de preocupação. Isto é, se algo nos preocupa, devemos poder fazer algo sobre isso. Se algo nos preocupa e não podemos fazer nada por isso, então provavelmente não nos deveria preocupar.
Livre arbítrio
Como cristão, entendo que o maior dom que Deus nos deu foi criar-nos como seres livres. Todos temos a liberdade de escolher. Não só foi o maior dom, como o maior poder que nos deu. O maior poder na vida é a nossa liberdade de escolher. E a maior liberdade de todas é podermos ser nós próprios.
Pensem nisto
Este hábito é o alicerce de todos os outros hábitos. Sem ele, todos os outros se desmoronam e não fazem sentido. Porém, para decidir com base nos nossos valores e missão pessoal é necessário termos definido previamente quais são os nossos valores e a nossa missão pessoal.
Já partilhei convosco quais são os meus valores e a minha missão pessoal. Convido-vos a pensardes nisso.
1) Quais são os valores mais importantes para ti?
2) Qual o teu objectivo de vida? Qual a tua missão? O que te faz levantar todos os dias da cama e viver mais um dia da tua vida?
Um abraço,
Luís
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