Segundo hábito - Começar com o fim em mente
June 8th, 2006
A primeira semana de férias está quase a acabar.
O segundo dos sete hábitos definidos por Steve Covey tem por título «Começar com o fim em mente». Inicialmente surpreendeu-me, pois haverá outra forma de começar? Poderá um jogador marcar um golo sem antes ter olhado para a baliza?
Então, como será possível querermos algo sem antes termos pensado e visualizado o que queremos? Como poderemos viver a nossa vida sem antes sabermos, pensarmos e definirmos o que pretendemos dela? Creio não ser possível.
Covey introduz o conceito das duas criações. Tudo o que existe é criado duas vezes: primeiro na mente, depois no mundo físico. O arquitecto cria primeiro a casa na sua mente, só depois a passa ao papel. Também o escritor primeiro pensa no seu romance e cria-o na sua mente, só depois o escreve. Até mesmo na Bíblia, o mundo é criado duas vezes: primeiro em Gn 1,1-2,4 e depois a partir de Gn 2,5.
Este é o hábito da liderança pessoal.
Implementarmos este hábito é saber a cada momento para onde queremos ir. O que pretendemos. Quais os nossos objectivos.
Muitas empresas têm problemas de produtividade porque os seus empregados não sabem como o seu trabalho contribui para o sucesso das mesmas. Muitas pessoas têm enorme dificuldade em ter sucesso na vida porque raramente definem o que dela pretendem, e não vivem quotidianamente com isso em mente.
Por exemplo não conheço ninguém que não queira viver com saúde (objectivo), mas conheço inúmeros fumadores que não têm este objectivo em mente quando puxam um cigarro e o acendem. Assim, é quase impossível atingirem o seu objectivo (ter saúde).
Por esse motivo, devemos elaborar uma lista do que pretendemos da vida. O que pretendemos fazer com ela. Devemos também definir os nossos valores e missão pessoal. Sempre que tivermos que decidir entre o A ou B ou mesmo C, basta pensarmos qual dessas opções melhor contribui para a nossa missão e está de acordo com os nossos valores.
Será assim tão difícil por isto em prática? Tenho a certeza que não.
Um abraço,
Luís
Primeiro hábito - Ser pró-activo
June 5th, 2006
Como é bom estar de férias… Primeiro dia. Primeira mensagem.
Depois de vos ter dado tempo mais que suficiente para digerirem a minha última mensagem, chegou o momento de escrever sobre o primeiro dos sete hábitos: Ser pró-activo.
Todavia, quero primeiro responder a alguns comentários que me fizeram, e alguma apreensão ou demotivação que ficou no ar, pelo menos em certas pessoas, sobre a extensa mensagem de introdução aos conceitos. Diziam-me que se a introdução aos conceitos é assim tão extensa, como não seriam os hábitos em si. Quero desde já assegurar-vos que não há motivos para apreensões nem para desmotivações. Como verão nas próximas mensagens, os hábitos fáceis e sucintos de descrever e explicar. Adiante.
Ser pró-activo
Covey define o primeiro hábito como “Be proactive“. Compreende-se melhor definindo o seu contrário: “Be reactive” - ser reactivo. Uma pessoa é reactiva quando age (ou reage) segundo as condições, os sentimentos, as circunstâncias ou o ambiente que a rodeia. Uma pessoa pró-activa age segundo os seus valores e a sua missão pessoal. Entre o estímulo e a resposta existe um tempo de decisão, decisão essa que é tomada não com base nas condições, impulsos, ambiente ou sentimentos, mas sim com base nos valores e na missão pessoal.
Um só parágrafo foi suficiente para definir este hábito. Mas só um parágrafo pode não ser suficiente para se compreender a diferença entre ser pró-activo e reactivo, pois a diferença entre ambos pode à primeira vista ser muito pequena. Sobretudo, quando o tempo entre o estímulo e a resposta é, por hábito, também muito pequeno. É este tempo e a decisão que se toma com base nos valores e missão pessoal que define uma pessoa pró-activa. A novidade (para alguns) está exactamente aqui: é que é possível escolhermos as respostas àquilo que nos acontece.
Mais, nós não somos aquilo que nos acontece mas sim a resposta que escolhemos àquilo que nos acontece.
Será mesmo assim?
Neste momento, muitos de vós estão surpreendidos com aquilo que leram sobretudo por eu ter escrito que para a maioria é uma novidade saberem que sois vós que escolheis as vossas acções. Quase que consigo ouvir em uníssono e bem alto, todos vós a gritardes: “Claro que sou eu que escolho as minhas acções. Não sou nenhum demente.” Será mesmo assim?
Lembraste quando hoje ias no trânsito e alguém fez uma azelhice à tua frente e tu buzinaste e lhe disseste: “Daaaahhh“? Foste tu que escolhestes esta resposta? Foi com base nos teus valores que tomaste essa decisão? Ou foi com base nos teus impulsos, sentimentos ou ambiente envolvente?
Quando o teu chefe não reconhece o teu valor, não te dá o devido valor ou, pior, fica com os louros do teu trabalho, e tu ficas completamente irritado com o facto, foste mesmo tu que escolheste ficar irritado? Será esta a resposta escolhida com base nos teus valores? Tenho a certeza que não.
Quando sem querer chocas com alguém na rua e essa pessoa sem pensar te insulta, tu ficas ofendido. Foste mesmo tu quem escolheu ficar ofendido? Foste, mas raramente tens a noção que és tu quem escolhes ficar ofendido ou não. Já pensaste que por vezes assistimos num jogo de futebol uma multidão em fúria a insultar o árbitro e ele não se sente ofendido? Então, é porque ficar ofendido é uma opção nossa. Um mestre espiritual (não sei se budista ou Zen) disse um dia que um ofensa é como um presente que alguém nos quer oferecer e que podemos aceitar ou não.
Determinismo
Eu acredito que somos nós que escolhemos a nossas acções. Sempre. Podemos fazê-lo com base nos nossos valores e missão pessoal, com base naquilo que pretendemos ser e viver a nossa vida, ou não. Todavia, há pessoas que não pensam assim e acreditam que as suas respostas estão predeterminadas. É o “destino” algo tão particularmente português ou não tivéssemos o fado como algo nosso. Existem três tipos de determinismo:
1) Genético ou como diz Covey «A culpa é do meu avô». Genético porque é um algo hereditário. É próprio da família. Já o meu avô era assim. O meu pai também é assim. Eu sou assim porque sou filho e neto deles. É algo que se transmite nos genes. Isto aplica-se a todas as respostas possíveis.
2) Psíquico ou «A culpa é dos meus pais». É certo que a forma como vivemos a nossa infância influencia a nossa adolescência e idade adulta. Influencia mas não determina, e essa influência pode ser maior ou menor conforme a nossa vontade. Se a nossa infância não foi a mais agradável, chegados à idade adulta é a altura ideal de pôr um ponto final nessa fase da nossa vida. Sobre isso, hei-de escrever oportunamente.
Neste tipo de determinismo temos aquilo que chamamos de «self fulfill prophecy». Por exemplo, já ouvimos tantas vezes que somos ______ (preencher aqui a seu gosto) que começamos mesmo a acreditar que sim. Que os outros devem ter razão. A partir do que ouvimos dos outros, criamos assim imagens de nós próprios que estão bem longe de corresponder à verdade.
3) Ambiente ou aquilo que nos rodeia ou «A culpa é dos outros». Seja o nosso chefe, o nosso marido ou esposa, os nossos amigos, os outros. São eles que nos determinam as acções? Um destes dias, a minha amiga comentava comigo: «O meu chefe tira-me do sério». Será mesmo ele que a tira do sério ou ela que escolhe essa reacção?
Quando temos um problema e pensamos que a culpa é dos outros, esse mesmo pensamento é o problema.
O que fazer?
Se neste momento ainda não decidimos com base nos nossos valores ou missão pessoal, temos que pensar como mudar essa situação. Para nos ajudar nessa tarefa, Covey introduz o conceito dos dois círculos: preocupação e influência.
Peguem numa folha de papel em branco e considerem que nessa folha de papel podem escrever todos os assuntos e situações que se lembrem. Antes de começarem a escrever, desenhem no centro da folha um círculo que terá o nome de círculo de preocupação. Quando começarem a escrever os assuntos e situações na folha de papel, escrevem-nos dentro do círculo se for algo que vos preocupa (ou pode vir a preocupar) e fora do círculo se não vos preocupa (nem virá a preocupar-vos).
Dentro do círculo de preocupação vão desenhar outro círculo: o círculo de influência. Dos assuntos que vos preocupam (agora ou no futuro) e que vão escrever dentro do círculo de preocupação, devem escrevê-lo dentro do círculo de influência se poderem fazer algo sobre esse assunto.
Quando terminarem de escrever, foquem-se no círculos de preocupação e influência e reparem na proporção dos assuntos que ficaram dentro do círculo de preocupação e do círculo de influência.
Aquilo que Covey nos diz é que nos devemos focar no círculo de influência e tentar maximizá-lo. O círculo de influência deve estar o mais próximo possível do círculo de preocupação. Isto é, se algo nos preocupa, devemos poder fazer algo sobre isso. Se algo nos preocupa e não podemos fazer nada por isso, então provavelmente não nos deveria preocupar.
Livre arbítrio
Como cristão, entendo que o maior dom que Deus nos deu foi criar-nos como seres livres. Todos temos a liberdade de escolher. Não só foi o maior dom, como o maior poder que nos deu. O maior poder na vida é a nossa liberdade de escolher. E a maior liberdade de todas é podermos ser nós próprios.
Pensem nisto
Este hábito é o alicerce de todos os outros hábitos. Sem ele, todos os outros se desmoronam e não fazem sentido. Porém, para decidir com base nos nossos valores e missão pessoal é necessário termos definido previamente quais são os nossos valores e a nossa missão pessoal.
Já partilhei convosco quais são os meus valores e a minha missão pessoal. Convido-vos a pensardes nisso.
1) Quais são os valores mais importantes para ti?
2) Qual o teu objectivo de vida? Qual a tua missão? O que te faz levantar todos os dias da cama e viver mais um dia da tua vida?
Um abraço,
Luís
Começar pelo princípio
March 24th, 2006
Lembram-se como terminei a minha última mensagem? «Tenho um compromisso para comigo mesmo: escrever pelo menos uma vez por semana. Veremos até quando o cumprirei.» A primeira semana foi superada. Veremos as próximas.
Desde que criei este blog, tenho pensado por onde devo começar a escrever aquele monte de coisas que gostaria de partilhar. A escolha não tem sido fácil mas decidi começar pelo princípio: o meu objectivo de vida, a minha missão pessoal e os meus valores.
Vivo neste mundo com um objectivo: ser feliz! O meu desafio é encontrar o caminho para a felicidade.
Acredito que “Deus é Amor” [1] e que “Deus não é senão Amor”. [2]
Acredito em Deus como criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, por esse motivo, sou uma criatura de Deus.
Acredito também que sou filho de Deus [3] e que fui criado à Sua imagem e semelhança. [4]
Por isso também eu sou capaz desse Amor e se existe caminho para a felicidade, ele passa por essa capacidade de amar e de ser amor.
Deus é Amor. Deus não é senão Amor. Por esse motivo, a minha felicidade só será completa quando estiver com Deus, em Deus; quando for simplesmente amor.
Por agora, caminho para esse amor amando todos os meus irmãos em Cristo como Ele nos amou. [5]
Acredito que este é o único caminho para ser feliz: amar os outros como Ele nos amou.
Por conseguinte, o primeiro dos meus valores é o Amor e aqueles que eu Amo. Susete - aquela que é uma só carne comigo [6]; e Madalena - aquela que é fruto do meu amor pela Susete.
Liberdade, Integridade, Confiança, Amizade, Alegria e Paz são os restantes valores que me permitem realizar a minha missão.
Agora que conheceis a minha missão - ser feliz -, como alcançar essa felicidade - amar os outros como Ele nos amou -, e os valores que me permitirão realizar a minha missão - Amor, Liberdade, Integridade, Confiança, Amizade, Alegria e Paz - poderemos continuar a conversa… noutro dia.
Um abraço,
Luís
[1] 1 Jo 4,7-21
[2] François Varillon, S.J.; A Alegria de Crer e de Viver, Apostolado da Oração, pág 42.
[3] Gl 3,26; Mt 5,9; Rm 8,14
[4] Gn 1,26-27
[5] Jo 15,9-17
[6] Gn 2,24